novembro 21, 2007

Livro Aberto

Próximo de completar 4 anos desde a data de publicação de “Transpiauí, uma peregrinação proctológica”, resolvi fazer algo que tinha vontade de fazer faz tempo: liberar todo seu conteúdo para todos que se interessarem poderem ler.
Como vocês podem ter percebido, não quis ter muito trabalho para executar esta vontade. Um template padrão e falta de detalhes como notas de rodapé, fotos e ilustrações presentes apenas na versão impressa. Talvez melhore isso com o tempo. Talvez não. (Já coloquei algumas fotos que podem ser acessadas no menu da direita)
O formato em blog é um mero detalhe, mas dá ao livro uma dimensão que talvez seja interessante: a possibilidade de receber comentários a cada capítulo. Seria ingênuo de minha parte contar com a virtuosidade dos comentaristas e achar que a obra se enriqueceria desta forma. Na verdade, o que provavelmente vai acontecer é o contrário. Um show de preconceitos. Preconceitos de “defensores do Piauí”, que despejarão aqui as costumazes ofensas que venho recebendo desde que o livro foi anunciado. Preconceito de “críticos do Piauí”, que também cobertos por um suposto anonimato despejarão suas frustrações racistas. Preconceito de quem emitiu opinião baseado apenas na ilustração da capa.
Preconceito pelo qual nunca fui acusado por qualquer pessoa que tenha tido o trabalho de ler todo o livro. Muito pelo contrário. Apesar das piadas e observações exageradas, com o único intuito de fazer graça, o que é mostrado do Piauí é um relato real de uma semana que passei descobrindo o desconhecido. Sem aumentar e sem dimunuir. E tenho em minha consciência que graças ao humor foi possível apresentar uma diferente realidade para leitores que talvez nunca pudessem ter a oportunidade de entrar em contato com o Piauí.
Quatro anos se passaram. Minha cabeça felizmente é outra. Acho muitas das piadinhas que fiz constrangedoramente sem graça. E se fosse escrever tudo novamente hoje, certamente resultaria em um livro bem diferente. Mas fica agora este registro aberto para qualquer um consultar. Façam bom uso.

Abracetas
MrManson

Orelha e Apresentação

Orelha:

E eis que do ovo se rompe a casca e em vez do tradicional pintinho implume aparece uma avisrara. É um humorista. É assim que nasce um humorista e é assim que apresento para vocês o Wagner Martins, que também atende pela alcunha de MrManson. Na verdade, o Wagner já é um galo velho no mundo das piadas e da chalaça. O famoso MrManson é o cumandante e o pau mandado de um dos melhores sites de humor que eu conheço, o sensacional Cocadaboa, que se você ainda não conhece, não sabe o que esta perdendo.
Pois é, o Wagner resolveu dar uma marcha a ré tecnológica e agora salta do mundo virtual para uma aventura na literatura dos road books humorísticos. Transpiauí, uma peregrinação proctológica (que eu espero que seja o primeiro livro de uma longa série), além de divertido e engraçado, vai resolver um problema. Você nunca mais na vida vai ter que visitar esta simpática e calorenta unidade da Federação. Você já esteve no Piauí com o MrManson, a melhor companhia para visitar lugares insólitos e outros cus do mundo. Como você poderá verificar pessoalmente, trata-se de um livro anal e deve ser lido de uma sentada. Mas cuidado, não se esqueça de usar uma camisinha e não empreste (o livro, é claro) para ninguém que é para não pegar doença!
Divirtam-se!

Marcelo Madureira
Casseta & Planeta


Para escrever, o humorista
deve escolher sempre
o assunto mais sério,
mais triste, mais chato,
ou mais trágico. Só um
falso humorista escreve
sobre assuntos humorísticos.

Millôr Fernandes


Apresentação:

Conheci MrManson três vezes, não necessariamente nesta ordem.
No começou foi o caos. Alguém entrou no meu blog e deixou um comentário dizendo que ele havia falado mal de mim no Cocadaboa. Não tinha visto, mas se estava naquele site, Cocadaboa, não era.
Com o orgulho ferido por antecipação paranóica e o ego inflado pela constatação de minha popularidade (concluída a partir da tese megalomaníaca de que só leva chute na bunda quem está na frente), respirei fundo, cliquei no link e li o texto. Não era uma menção elogiosa mas também não era nada que denegrisse a dinastia Hermann ou fornecesse embasamento jurídico para abrir um processo rentável.
Mesmo assim, pra não perder a viagem, conclamei Mr.Google e seus correligionários de busca para saber quem era MrManson e provar a ele que mesmo não me enquadrando nos seus cânones de beleza física eu tinha algum outro talento mensurável. E assim, cheguei a seu nome, endereço e telefone. Liguei e deixei um recadinho no celular, com aquele ar imbecil de quem se sente triunfante numa batalha unilateral. Ele retornou a ligação e a partir de então começamos uma comunicação semi-civilizada em áudio e texto.
Até então, eu não tinha certeza se o conhecia. Os meios eletrônicos de comunicação, por mais sofisticados que sejam, sempre deixam um sabor taninoso de desconfiança. Mas segui minha intuição feminina e minha admiração pelo talento criativo de MrManson.
Foi por causa desta confiança em seu talento que, mesmo sem tê-lo visto pessoalmente, recomendei-o para um amigo que cuida de um importante site, ligado a uma importante rádio, para uma importante reunião, na importante cidade de São Paulo. Não vou dizer os nomes porque não têm a menor importância.
Ele saiu do Rio de Janeiro, veio para São Paulo, fez a reunião, falou comigo via web de um cyber café e acabou recusando o trabalho escravo.
Nesse ínterim tínhamos vários assuntos recorrentes na pauta de emails, como o futuro do humorismo cibernético, a influência da necessidade de sobrevivência como motivação para a venda da alma a um patrocinador e, claro, a viagem de MrManson para o Piauí. Apoiei a idéia desde o princípio e acompanhei tudo, da partida à volta, com direito a pesquisas sobre o Piauí.
Não saberia dizer a cronologia exata, mas depois disso, um belo dia MrManson veio para São Paulo e nos encontramos pessoalmente. Esta foi a segunda vez que o conheci, agora em 3D. Foi um papo rápido e agradável num ponto histórico da televisão brasileira, a padaria Real, no Sumaré, perto da MTV.
A terceira e definitiva vez em que finalmente consegui conhecer o lado autor de MrManson foi quando recebi por email o texto original deste livro. Li tudo. E adorei. Não só pelo inusitado da viagem, pelo humor ácido, azedo e agora desidratado de MrManson, mas por sua coragem. Coragem de ter feito esta viagem absurda, de ter escrito de forma tão verdadeira e bem humorada e, sobretudo pela coragem de publicar a obra mesmo correndo o risco de ser desossado vivo por alguma facção piauiense mais extremista.
O texto é sui generis. O Piauí, hors concours. O autor, avis rara. É de se admirar que o livro seja em português. Mas em qualquer língua que tivesse sido escrito, seria igualmente compreensível. Porque o que você tem em suas mãos não é apenas um guia de viagem, um relato turístico ou um tratado crítico de sociologia mas, uma prova cabal de que a vida só serve mesmo pra isso, pra ser vivida, experimentada. Portanto, experimente-a, mesmo sem um patrocinador para bancar o projeto e sem Zeca Pagodinho pra vender o produto.
Você vai rir, vai chorar, vai se emocionar, vai emprestar o livro e vai ficar puto da vida quando não recebê-lo de volta. Sim, porque ninguém é louco de devolver uma delícia como esta para o proprietário. Você vai ficar se perguntando o que faz com que um rapaz boa pinta, jovem e inteligente, (e ainda por cima comprometido) que teve o privilégio de ter nascido carioca e a capacidade de criar um dos sites de humor mais visitados do país, sair do conforto de seu lar, abdicar do prazer de uma noitada no botequim com os amigos, abandonar o aconchego horizontal com a namorada e lançar-se numa aventura ao terceiro-olho-do terceiro-mundo. A resposta, ninguém sabe ao certo, mas há uma corrente que acredita que alguém tenha feito um vodu de MrManson, colocado o bonequinho num ônibus de brinquedo e jogado o conjunto dentro de um bueiro de rua. Mas isso, ninguém conseguiu provar até agora.
Por via das dúvidas, é melhor não falar mal de mim no meu blog.

Rosana Hermann, escritora e humorista
www.farofa.com.br

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