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13/01/03

Perdendo a virgindade

Publicado originalmente em dezembro de 2000.

Perdendo a virgindade

Aqui estou eu de novo, contando minhas tristes experiências de aluno de comunicação para vocês. Não sei porque faço isso. Não sei se é um desabafo, se é uma forma de protesto, apenas uma busca por atenção ou algum tipo de egotrip maníaca que faz com que eu conte passagens tão bizarras da minha vida para pessoas que eu sequer conheço. Talvez eu faça isso porque acredito que esse tipo de coisa acontece com todo mundo na verdade, mas as pessoas fogem desses assuntos de uma maneira psicótica e irracional.

Todos já sabem que a minha vida é desgraçada. Meus pais se conheceram num acampamento hippie em Goiás, nos anos 70. Eram ambos fãs de rock progressivo e pesados usuários de drogas as mais variadas. O primeiro fator resultou na escolha do meu nome, inspirado numa música do Emerson, Lake & Palmer, o segundo fez com que eu fosse criado com uma relativa liberdade que me permitiu aproveitar várias experiências que a maioria dos jovens da minha idade não tiveram a oportunidade de vivenciar. Muitos vão dizer que isso é bom, esses são chamados os otimistas. Eu sou um pessimista nato. Então achei tudo uma merda.

Perdi minha virgindade aos treze anos. Aos treze anos toda e qualquer pessoa se masturba. E todos fazem isso com uma certa vergonha, afinal ainda é algo meio que desconhecido. Você gosta daquilo que está fazendo mas não entende muito bem porque. E normalmente não tem muita confiança pra ir perguntar pros seus pais que diabos é aquilo, uma vez que o sexo é profundamente estigmatizado em nossa sociedade e toda essa merda sociológica que eu não quero discutir. Isso não aconteceu no meu caso, meus pais eram maconheiros, portanto eu não me preocupava em me masturbar longe deles, e da primeira que eles repararam resolveram conversar comigo sobre o assunto...

- Olha só Jimi, o karninho ta batendo punheta!

- É mesmo, Janis. Ai, meu filho... já ta virando homenzinho!

Pois é, eles se chamavam de Jimi e Janis. Os nomes verdadeiros eram Severino e Marielva.

- Eu acho que você deveria explicar pra ele o q ta acontecendo com o corpinho dele... Afinal você é o homem da família!

- É verdade... Meu filho, pare um instante e venha cá...

Momento de profunda decepção. Eu tava quase gozando.

- Olha, você sabe o que está fazendo? (Dan... dzzZZzzzzzZZrstz)

- Como assim pai? (Ih, saiu uma gotinha...)

- O que você ta fazendo com o seu pinto? Pq ta fazendo isso? (bin bin bin bin bin)

- Ah, sei lá... mas é bom. (Pô, minha cueca ta melada!)

- Pois é, você está se masturbando. Masturbação é a simulação do ato sexual, que seria o modo como os seres humanos se procriam e o ato máximo de amor entre um homem e uma mulher. Eu imaginava que um dia você chegaria nesse estágio da sua vida e não sabia como falar do assunto, mas foi bom ter acontecido assim de forma tão natural, sem rodeios. (ploc)

- Ah... tá. (Preciso ir no banheiro me limpar, velho filha da puta!)

- Olha, meu filho. Acho que já que você chegou nesse estágio eu, como seu pai, deveria te explicar e mostrar o funcionamento do processo por completo. Janis, a Maria ta aí?

- Ta não... - Ela seria perfeita, ela sempre achou o karninho bonitinho e tal... E tem uns três dias que ela não transa...

- Mas não tem ninguém aqui agora, foi todo mundo praquela festa...

- É verdade...

- Que tal a cabra?

- Será?

- Ah, o princípio é o mesmo...

- É verdade... vem cá menino...

Agora eu lembro vocês: eu tinha 13 anos. Era meu pai falando, aquela figura que você acha que está ali para olhar por você. Para cuidar de você. Eu fui.

- Tá vendo a Mamma?

Mamma, a cabra. As cabras eram chamadas Mammas, os bodes, Pappas... sacaram?

- To, e aí?

- Ainda ta com o pinto duro?

- Não...

- Peraí...

Primeiro trauma sério da minha infância. Minha mãe pegou no meu pau e começou a acariciar levemente. E o Freud que se foda aqui, a experiência foi horrível, apesar dos efeitos físicos serem inevitáveis. Pô, minha mãe era gostosona.

- Pronto, agora tá... Faz assim, eu seguro a mamma e você vai botar seu pinto nesse buraquinho aí atrás, ok?

- Ta, mas e aí?

- E aí você vai usar a xoxota dela como se fosse a sua mão...

- Ah ta... ah... ah... hmmmm... é bom... hmmmm...

Bom, aqui devo admitir que eles tiveram um ato de inacreditável bom senso e me deixaram sozinho nesse momento tão pessoal que é a perda da minha virgindade. Muitas pessoas que eu conheço, aliás, todas as 3 pessoas com quem mantenho relacionamento, não aceitam esse momento como o fim da minha virgindade. Dizem que com cabra não vale. Aí eu realmente não entendo o preconceito. Afinal, o que importa pro ato em si é o buraco, o resto é acessório. Mais ou menos como dizer que carro sem rádio e ar condicionado não é carro. Claro que o modelo completo é muito mais interessante, mas o que importa é o motor de arranque e a lubrificação pra não estragar o píston, o resto a gente aprende depois.

Karno Evílio IX
Cedido pelo maedafoca.com.br

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